Redação do Enem: como ir bem na proposta de intervenção?

Para aqueles que vão prestar um concurso ou vestibular, a redação pode se tornar um grande desafio. Afinal, em muitos casos, essa é a única parte dissertativa da prova e que exige conhecimentos específicos ou mais aprofundados.

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a situação não é diferente. A redação equivale a 20% da nota final e é avaliada por dois corretores, que levam em consideração cinco competências diferentes, desde demonstrar domínio da norma culta da Língua Portuguesa até elaborar uma proposta de intervenção.

Para auxiliar os participantes do Enem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio de Teixeira (Inep), órgão responsável pela prova, divulgou cinco cartilhas com os critérios de correção de cada competência avaliada.

Uma das competências que mais gera dúvida nos participantes da prova é a última, que exige uma proposta de intervenção para o texto. Assim, pensando em ajudar os estudantes, aqui vamos abordar o que é a competência 5 da redação do Enem e o que é preciso saber para conseguir tirar a nota máxima.

O que é avaliado na competência 5?

De acordo com a cartilha da redação, essa competência avalia se o estudante sabe “elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos”. Ou seja, é avaliado se o estudante consegue desenvolver uma ideia para solucionar os problemas apresentados e justificá-la, de modo que essa sugestão seja coerente, viável e não desrespeite os direitos humanos.

“O participante deve propor uma intervenção para o problema apresentado pelo tema, o que significa sugerir uma iniciativa que busque, mesmo que minimamente, enfrentá-lo”, explica a cartilha de redação. Assim, para que um texto possua uma proposta de intervenção adequada, é preciso que essa parte contenha os cinco elementos básicos: ação, agente, modo/meio, efeito e detalhamento. Entenda o que é cada um deles:

Ação

Esse elemento diz respeito à ação prática apontada pelo participante como necessária para a solução do problema apresentado pelo tema. “É a partir da ação que reconhecemos a intenção de propor uma intervenção para o problema abordado e que os demais elementos se organizam”, aponta a cartilha.

Para desenvolver essa ação, o participante deve responder à seguinte pergunta: “o que deve ser feito?”, construindo, de forma concreta, uma resposta que contenha a principal ou as principais ações a serem tomadas para a resolução de tal conflito.

Agente

O agente é o ator social apontado para realizar a ação que resolverá ou amenizará o conflito. “Para determinar o agente, o participante deve considerar o problema abordado pelo tema, sobre o qual se deseja intervir, e a ação”, explica o documento

A pergunta que o estudante deve responder para descobrir quem é o agente para a sua ação é: “quem executa?”. Por exemplo, de acordo com o tema proposto, o candidato deve citar no seu texto se a ação necessária deverá ser realizada pelo Estado, por algum órgão público, empresas ou outros realizadores.

Modo/meio

Esse elemento mostra a maneira de realizar tal ação ou quais são os recursos utilizados para que a ação seja realizada. Para descobrir qual é o modo/meio, o participante deve responder à pergunta: “como se executa/por meio do quê?”.

Por exemplo, se foi abordado na proposta de intervenção que o Ministério da Educação deveria ser o responsável por promover campanhas de conscientização contra as fake news, deve também ser colocado qual ou quais os meios existentes para que essa ação seja feita: publicações em rede sociais, publicidade em locais estratégicos, cartilhas de escolas, dentre outros.

Efeito

“Efeito é o elemento que corresponde aos resultados pretendidos ou que serão alcançados pela ação proposta. Ele pode vir expresso por meio de uma estrutura indicativa de finalidade, consequência ou conclusão”, indica a cartilha do Inep. Algumas expressões indicativas de finalidade seriam “para que”, “com o objetivo” “Essa iniciativa tem como finalidade”.

Uma forma do estudante não esquecer dessa parte seria responder à seguinte pergunta quando estiver formulando sua proposta de intervenção: “para quê?”. Assim, nesse ponto, o candidato deve explicar qual o objetivo de tal ação proposta, quais seriam as “consequências” da ação, se esta fosse de fato implementada.

Detalhamento

O elemento do detalhamento é aquele que agrega informações às outras partes da proposta de intervenção, tendo o papel de fazer com que as soluções e medidas apresentadas sejam mais elaboradas, concretas e confiáveis.

O detalhamento pode ser feito com base em exemplos de outras ações que já existem, ou até mesmo dados referenciais, que explicam mais detalhadamente a ação proposta. A questão a ser respondida para identificar o detalhamento é: “que outra informação sobre esses elementos foi acrescentada pelo participante?”.

Qual é o elemento mais difícil na elaboração da proposta de intervenção?

Conforme explica o professor e coordenador de Redação e Língua Portuguesa do Colégio pH, Thiago Braga, a ação é a parte da proposta que deve ser construída com maior atenção, pois ela é o ponto principal da competência, que norteia as outras partes da proposta, como agente e efeito.

“O agente não é tão difícil, pois muitos agentes podem executar diversas ações que amenizem ou resolvam problemas sociais brasileiros. A ação em si é que deve trazer o caráter de novidade, não pode ser algo que já exista, ela é, sem dúvida, o elemento mais complicado”, afirma.

Braga ainda aponta que, após entender e desenvolver a ação, será muito mais fácil apresentar o agente, modo/meio e a sua finalidade. De acordo com a cartilha de correção, uma redação pode ter várias propostas de intervenção, entretanto, só será avaliada a mais completa, ou seja, que apresente a maioria dos elementos.

Além disso, para evitar esse tipo de erro, o professor indica que o aluno estude diversos eixos temáticos para compreender quais são as melhores ações em cada área e, ao mesmo tempo, desenvolver um repertório que permita que o estudante aponte propostas de intervenções críveis e que possam ser, de fato, aplicadas.

O que significa “desrespeitar os direitos humanos”?

De acordo com a cartilha, “são considerados os seguintes princípios dos direitos humanos, pautados no Artigo 3º da citada Resolução nº 1, de 30 de maio de 2012, o qual estabelece as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos”:

Dignidade humana;

Igualdade de direitos;

Reconhecimento e valorização das diferenças e diversidades;

Laicidade do Estado;

Democracia na educação;

Transversalidade, vivência e globalidade; e

Sustentabilidade socioambiental.

Assim, quando um candidato vai contra alguns desses princípios no texto, desrespeitando os direitos humanos, suas redações serão penalizadas na competência 5. Isso pode significar a perda de até 200 pontos que são concedidos por competência.

Em 2018, por exemplo, o tema de redação foi “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”, algumas das propostas que desrespeitaram os direitos humanos foram aquelas que propuseram ações que ferem o direito à liberdade do outro e o direito à vida, assim como o acesso de alguém à justiça, educação, cultura, lazer, dentre outros.

Veja alguns exemplos abaixo de propostas que foram contra os direitos humanos:

– “Para reduzir essa manipulação, em determinados locais deveriam ser cortados qualquer sinal de transmissão de internet assim reduziria a influência de certos dados no comportamento desses usuários”.

– “No Brasil as leis são frágeis, deveriam ser mais rigorosas, punir pessoas que fazem mal para outras pessoas. Quando digo punir, quero dizer deixá-lo preso sem direitos!”

– “Uma solução para o problema é privar a internet para pessoas leigas e analfabetas que se deixam levar por qualquer vídeo e foto vista”.

– “O caso é grave e temos que punir esse tipo de uso com a própria morte”.

Matéria produzida pela Revista Quero

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